15
de Julho de 2010
OS
PARADIGMAS (1.0) DO JORNALISMO
Todos
os dias tenho mais de 100 feeds de textos sobre jornalismo para ler. E, para variar,
vou acumulando tudo para o fim-de-semana, perdendo por vezes a instantaneidade
dos próprios artigos, no seu imediato impacto. Contudo, nada se perde na
web e mesmo com sete dias de vida, os artigos são fresquinhos.
O
jornalismo está a mudar e necessita de acompanhar as mudanças. Perante
o novo paradigma surge a necessidade de se adoptar posturas de sobrevivência
que, a nível dos media, se traduzem na mediamorfose preconizada por Roger
Fidler. Numa necessidade de understand the new media persiste
a sensação de que o antigo media desaparece aquando do aparecimento
de um novo e novo meio resiste e arranja forma de se adaptar e melhorar, ultrapassando
assim o antigo.
Desta
forma temos assistido ao adaptar das novas formas de comunicação,
o que de certo modo deveria ser tomado como a evolução revolucionária
destes tempos modernos. Em media estas mudanças passam-se num período
compelido a uma geração, cerca de 30 anos. E esse tempo, na altura
em que estamos, torna-se sufocante, já que assistimos a toda a hora a novos
paradigmas e conceitos.
Das
duas uma: ou o jornalismo continua virado na bolha 1.0 de se integrar na inevitável
prática web, mesmo sendo balofa e desajustada da realidade mediática
e dos leitores; ou se transcende e se reinventa, entrando definitivamente no paradigma
web da prática jornalística. Não refiro que o papel tem de
morrer. Não acredito nisso, só defendo que tem de mudar de finalidade,
dando lugar ao imediato uso e abuso da internet como meio de informação.
Pegando
num artigo do Paulo
Querido, lembrei-me do que escrevi no ano passado, aquando do workshop de
Ciberjornalismo que realizei no Porto, pela Universidade Austin Texas, com o professor
Rosental Alves. Aos interessados deixo o link do artigo do Paulo, muito pertinente
e incisivo: Contas
feitas, ó jornalista, sabes quanto vales, sabes, sabes, sabes? 14%
Sobre
o que escrevi aquando do workshop, algumas linhas: As mudanças
de paradigmas criam as resistências habituais e assustam até os mais
cépticos. Por onde vamos? Para onde caminhamos? Como vão ser os
jornais em 2020?" Rosental Alves no workshop Online Journalism, Porto
2009
São
estas as incertezas que nos empurram para a discussão acesa sobre o estado
do jornalismo e o que de novo se pode fazer, nesta era em que o cidadão
ganha cunho na organização mediática e se torna um filantropo
informativo. No jornalismo de hoje, o maior erro ainda consiste no pensar nos
moldes tradicionais e não contemplar na prática diária as
ferramentas que surgem como uma espécie de cogumelos, a cada hora que passa.
O segredo passa pela reinvenção da prática jornalística
e o aproveitamento das novas funcionalidades web, como a cristalização
da web 2.0 e o transpor para a web semântica ou web 3.0. Uma das ideias
que sustenta esta reinvenção assenta na passagem do Homo Sapiens
- Homo Network, onde novas narrativas surgem e se vira o eixo comunicacional para
o online e práticas web.
Em
Portugal, ainda existe esta lacuna, de pensar 2.0 em vez de nos agarrarmos a uma
prática 1.0 disfarçada (podem ler um texto
que escrevi sobre isto no Quioske). Mas os jovens jornalistas já começam
a pensar multimédia e descentralizados do âmago da comunicação
tradicional. O jornalismo híbrido é a inovação para
a qual os jornais avançam e sem retorno, tendem a ser empurrados para lá.
Uma mescla entre o antigo e o moderno paradigma assola a prática actual
do jornalista, e inquieta também os chamados novos produtores de conteúdos,
os cidadãos. É imperativo não falar do jornalismo público,
a tendência emergente nos EUA e que tende a influenciar as práticas
mundiais. Tomemos como exemplo Daily Kos, The Huffington Post, Tech Crunch,
Talking Point Memo, Village Soup, entre outros.
*Este
texto foi originalmente publicado no Akademia,
projecto online da UTAD.