27
de Março de 2010
Fazer
1.0 e pensar que é 2.0 - Que desafios se colocam para criar a diferença?
"Isto
está tão 1.0! #cradio". É com uma expressão de
Paulo Querido - consultor new media e jornalista - e personagem bastante conhecida
nas andanças web, que inicio a crónica desta semana aqui no espaço
Comunicação e Marketing do quioske.info.
Este
começo tem uma lógica. Pego na ainda fresca análise ao que
foi discutido no Congresso "Pós-Rádio: R@adio como média
social?", na passada quinta-feira no ISCSP e onde estudantes, académicos
e profissionais se reuniram para debater o futuro da rádio.
Mudança.
Transformação. Futuro. Identidade. Foram estas as palavras de ordem
no dia dedicado ao media que, segundo a música eternizada pela banda de
pop rock inglesa The Buggles, foi morta pelo aparecimento do vídeo. Mas
parece que isso não aconteceu. A rádio está viva e recomenda-se!
A actual encruzilhada em que os media tradicionais se encontram é algo
que pode ser contornado e a rádio ainda é um meio previligiado na
difusão de informação. Foram estas algumas das constatações
partilhadas pelo vasto grupo de oradores no evento no ISCSP.
A
criação de conteúdos para a web para consumo dos seus utilizadores
é a chamada prática 1.0. Agora, no actual tempo em que a aldeia
global é cada vez mais irreversível, viral e apelidada de 2.0, a
própria rádio e os meios ditos online precisam de mudar. A presença
na internet está a desligar-se do passivo modelo de difusor informativo
e, na berlinda, aparece a questão da interacção com o ouvinte.
Desculpem-me
tender o rumo deste texto para o meio previligiado do som. Viremos a esfera e
olhemos para qualquer meio onde a troca de informação e o seu consumo
são elementos essenciais para a dita interacção (só)
agora preconizada por muitos.
A
viragem já não é nova e a necessidade de apostar nos meios
multimédia uma ideia de rastilho de pólvora. Que desafios se colocam
agora, no momento em que o público começa a ter o estatuto de "user
generated content"? Haverá a necessidade de criar conteúdos
massivos, em modo multimédia para acompanhar a carruagem da dita mudança?
"Que
cena!... Já ninguém fala de conteúdos!" - volto ao Paulo
Querido e às suas observações, na passada quinta-feira. O
novo utilizador, da web 2.0, interactiva e activa, não está para
voltar a ser 'o consumidor'. Já não basta ter uma panóplia
de conteúdos direcionais; é necessário neste momento passar
para o lado da decisão e ser motivo de auscultação para a
dita criação de conteúdos. Estes são um género
de extra, no acesso à web e onde o ouvinte e o leitor procura uma relação
per to per.
Mudança
e Transformação. Futuro e identidade.
Os
termos continuam na ordem do dia. Mas de nada servirão se não passarem
do papel e mentalizarem-se na cabeça de quem pode fazer da comunicação
um verdadeiro meio poderoso para interagir com as massas.
Para
a próxima semana falarei sobre o meio e a mensagem. Calma. Pegarei na tese
de Marshall McLuhan mas tentarei dar-lhe um toque de 'now'! Right now!